Ponto de Luz da Razão

o Ponto de Luz da Razão fala do que está para lá do horizonte dentro do psi e que não se vê mas subentende-se, escuta-se e sente-se num pensamento continuo uni pessoal e dentro de si.

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Location: Portugal

Sunday, March 06, 2005

CONSTANCIA

CONSTÂNCIA

Se tudo aquilo que disseste valeu a pena,
se tudo aquilo que fizeste criou frutos,
se ainda consegues permanecer de pé e caminhar.
Se tudo aquillo que tu és consegue ser mais forte
que a vontade de quem te quer ver derrotado.
Se a alma que transportas contigo
te permite ter forças para fazer frente
a quem te quer ver parado.
Se nada em ti se alterou senão a vontade
de vencer, se ainda te pertmites sonhar
e com anseio concretizar os teus objectivos,
se todos os teus pensamentos te fazem continuar.
Se ainda tens força de ser tu e não te alterares
por mais obstáculos que te apareçam.
Se o grito que dás te prende á ocasião.
anda!
E caminha em frente,
e sempre que te olhares
serás sempre tu.

Posted by Marcos Santos

A OUTRA FACE

A Outra Face

A dor que trás ao rubro toda a ausência de pensar.
Aquele que ontem era o homem que todos nós viamos,
tomou a dor que o afligiu. Deixou de ser,
para passar a ser o homem que tomou
a liberdade de se sentir combalido
com a dor que o atingiu.
Hoje chora as lágrimas que chamam por alguém.
A fragilidade da mente que o comove
trás todo o seu sentir, outrora reservado.
Á tona da água. Porém tal desatenção não permanece,
ele voltará a ser o tal e tudo aquilo que irá desvanecer
foi pura distracção.

Posted by Marcos Santos

Monday, December 20, 2004

APOTEOSE

O PONTO DE LUZ DA RAZÃO

o Ponto de Luz da Razão fala do que está para lá do horizonte dentro do psi e que não se vê mas subentende-se, escuta-se e sente-se num pensamento continuo uni pessoal e dentro de si.



APOTHÉOSIS

Por entre os vales o frio desce pousando no rio
que abriu a brecha e separou o monte tornando-o
ímpar.
O vento corre pela brecha que humedece as beiras
dos montes; mais à frente bebo o rio que corre,
respiro o vento que atravessa a separação e
inundo-me da grandeza da paisagem que pinta
os meus olhos.
O enorme abraço que recebo de tudo isto em nada
se confunde; todos os pormenores se juntam na
imensidão da beleza singela; da apoteose.

(Mergulho a minha mente no sabor doce do que os meus
olhos observam)



ROMA

Roma. Sentimento de tal grandeza incalculável
nas matemáticas possíveis de todo o
conhecimento humano, dor que não se exprime
nem nos cérebros mais conceituados do
Universo, é qualquer coisa que nos ultrapassa
e nos passa com uma velocidade superior à da
luz, insere-se dentro de nós lentamente,
posteriormente ocupa-nos toda a nossa imensidão
de sentir, é bela quando nova, é o esplendor
enquanto dura depois de envelhecida é como o
Vinho do Porto.
sentimento com duas faces; uma que nos revela
toda a sua beleza, todo o seu cheiro num quadro
amplo do belo sentir outra antagónica a essa
que se traduz na coisa mais feia do mundo, que
extrai de nós todo o ódio que sentimos
permite-nos ter toda a liberdade que não temos
e usá-la da forma mais animal que o homem
transporta consigo, no seu esquecimento do
seu verdadeiro eu.
É também fria como o gelo totalmente
incompreensível em toda a sua verdadeira
amplitude, rasga-nos o sentimento em todos os
sentidos, trai-nos nas horas mais perturbadas
cria-nos a revolta num auto canibalismo
interno de pensamentos instáveis provocado
pelo seu oportunismo momentâneo.

Marcos Santos


























Saturday, December 18, 2004

O PONTO DE LUZ DA RAZÃO


O Ponto de Luz da Razão

O METAFÍSICO

percebendo a genuinidade de tudo o que outrora foi,
conseguimos compreender, sentir e transpor nos para
ela; conseguindo isso reparamos que tudo aquilo
que nos rodeia além de não fazer qualquer sentido
percebemos também que perdemos a nossa identidade
para com o que a nossa realidade gerou.
Contudo, para além de termos de perceber; temos
sobretudo de canalizar todas as emoções e sentidos
paralelamente, temos também e em primeiro lugar que
recuar no tempo para que o possamos fazer;
no entanto, para fazer esse recuo temos de ser capazes
presentemente de nos enquadrar de uma forma profunda
na natureza do mundo; coisa que talvez nada diga à
maior parte das pessoas dado o desconhecimento do
princípio delas.
posto isto, "viajo" no tempo com relativa facilidade e me
enquadro nele exactamente por eu perceber que o meu
princípio parte daí e não de 1973 data em que segunda
vez fui posto ao mundo no entanto, a minha vida
começou há milhares de anos atrás; por eu ser capaz de
chegar a esta conclusão com alguma brevidade e sentido
de que tudo faz sentido a partir dai. A minha identidade
está nesse tempo e ninguém a conhece no entanto, foi-me
dada uma nova identidade para que eu recusasse a minha
genuinidade, reveladora em lugar seguro do qual eu estou
perfeitamente inserido e compreendo.
o termo identidade serve somente para nos despistarem do
tempo real do nosso tempo.
Imaginemos que não temos identidade; de que tempo
seríamos? Qual seria a nossa identidade?
chego então à conclusão que a nossa identidade seria
a real, e não aquela com que nos carimbaram.
Mas, quem fala de identidade fala também em tudo o que
foi criado pelo homem e nos retirado a nossa casa.
No entanto, não me foi retirada a capacidade de pensar
e de no íntimo perceber de que tudo o que me rodeia
não faz parte da minha casa. Não concebo em mim uma
estrutura social que não vê mais do que o seu olhar
permite no entanto, vivo dentro de um pensamento
numa vida real e singular com uma visão sobre o
mundo e a natureza, que nada tem haver com o mundo
exterior à minha casa. Saio da porta da minha casa e
não me enquadro a este espectáculo de vida de pessoas
"comandadas" pelas rodas que rodam nos automóveis,
pelas luzes dos candeeiros que acendem com lâmpadas
e pelas comidas empacotadas à moda do burguês. Não!
Nada de isto me diz alguma coisa!...senão uma auto
certeza real só minha e de outros tantos espalhados pelo
tempo e pelo mundo que vivem numa particular estrutura
de ideias e de conceitos naturais antes do homem que
prevalecem vivos e não compostos na sua fecunda
excentricidade; conceitos ímpares singulares, naturais
reais e primordiais, ao contrário de tudo o que é externo
a mim.
Não vivo dentro de uma caserna!
Não sou alguém conhecido. Sou eu!...e Vasto!


A CONVALESCENÇA

Princípios de uma convalescença futura
primordial na alteração psicadélica da
incoerência da semântica, numa indefinida
certeza simulada dentro do psicótico natural
das consequências que ante vieram ao
raciocínio.
transverso e submerso nas entranhas de si,
como uma teia que absorve todo o suco de
uma reflexão dentro de um pensamento
controverso infundado na capacidade do
esclarecimento lúcido que posteriormente
se iria designar como loucura generalizada.
Estou em mim e não creio em mim, não creio
que creia em alguém senão em ti; não crer em
mim é não me ver é não me sentir, é não ser
eu, pois creio que não sou se fosse eu...
sentir-me-ia e existiria para mim, pois se assim
não o é quem sou eu?
Creio que não sei quem sou, pois aquele que
realmente sou vagueia por ai julgo eu e julgo
que julgo bem, porque eu não me tenho visto
por ai.
Serei a voz que penso ouvir dentro de mim?
mas vozes não são pessoas são vozes.
Penso que penso e por mais que eu pense
permaneço sem chegar a mim, reflicto dentro
de um corpo falante e pensante que não sei
quem é ou estarei eu equivocado e pensarei
que afinal não sou o tal mas serei eu mesmo?
Chegada a hora da verdade cuja minha pessoa
está posta em causa por si crucificada,
até de certa forma o seu eu que desvaneceu
na certeza de si próprio e que ao mesmo tempo
existe em algures adormecido dentro de si, num
silêncio aterrorizador e vacilante numa prisão de
voz cujo o som sai como vapor de um corpo
quente e vácuo que elevada demonstraria
toda a sua força.

MARCOS SANTOS


Friday, December 17, 2004

PONTO DE LUZ

O PONTO DE LUZ

A FALA DOS DEUSES

Na calada da noite espreito sob o manto
escuro que a noite me trás,
escuto o ranger do mundo nos meus
ouvidos amedrontados de tão subterrâneo
ser; sentado nas escadas de pedra a escuridão
trás a curiosidade dos meus olhos de tão
cegos ficarem na opacidade inteira.
Distraio-me para que repentinamente as
surpresas não me sobressaltem como um
toque ao de leve nas costas roçado pelo
vento que me trás o frio daquela
ampla visão do nada.


O CONFIDENTE

Emoções. Escondidas por detrás de um jacto de tinta;
quantas palavras e sentimentos não transportas tu
nesse teu pincel que rasga a tua boca e sorri.
Quantas lágrimas já não escorreram nesse teu
pincel que te esconde por detrás do teu desenho?
Ri e choras no silêncio perturbador da tua
consciência, e quando choras ou ris quem te vê?
Ninguém, senão o teu amigo em eterno segredo,
transmite todos esses sentimentos em
inúmeras pinceladas como se fosse o teu diário.
Encobre-te de toda a gente; permanecendo no silêncio
como tu mas no entanto ambos trocam palavras
entre si e que ninguém percebe.
O teu amigo sabe.
Olha-o!


O ÚLTIMO SUSPIRO

Oh horripilante sensação de vazio!
Oh excomungada e indesejada!
…que atravessas oceanos na
minha procura sem nunca ter
partido contigo.
Oh caminho infernal!…que espera num
ansioso desespero da minha partida,
para a sensação do não estar…
oh fatídica hora!...que suspiras as
palavras que não se ouviram.
Oh último respiro de sossego!


A OUTRA MARGEM

A vida que é atirada ao charco como a pedra
que se lança e sobrevoa até ganhar o peso
que a fará cair no deserto que não escolheu,
o desperdício do tempo que nos modifica e
nos molda como o vento do tempo que
desgasta a pedra e a modifica, as noites
passadas no recolher do travesseiro que
encosta a cabeça e adormece no silêncio
imaginário dos olhos abertos, enquanto
baloiça o berço da alma no relaxamento do corpo
que aquece protegido do frio que inunda a casa,
e então amanhece no chilrear dos pássaros que
acordam antes do nascer do Sol.
E a vida continua a ser como a pedra que voa e
ganha peso e a casa de palha que vive no meio
do monte continua erguida por mais declínios
que o monte tenha e por mais que o vento abane
a casa ela mantêm-se…e mantêm-se porque
dentro dela vive o velho da montanha e da casa
de palha, que pede pela vida e que não atira como
a pedra que voa ganha peso e cai.

MARCOS SANTOS



PSI IN


PSI IN


A RAZÃO DE SI

Permanente movimento circunflexo
como um eixo que gira em torno de si
construtivo ao ponto de reflectir-se
sobre si na plenitude do “mergulho
interno que percorre a estrada” do estar
e do sentir entre sobressaltos que
desencadeiam a imperfeição, da imagem
que não transparece da consciência de
quem demagogicamente procura.
Ancestralmente definidos os conceitos;
valores e a raiz do ser que presentemente
caminha sobre as pegadas deixadas outrora
pelos seus antepassados na condição
de seguidor fiel da coluna que suporta
toda a razão, desde os seus ancestrais até
ao ser que hoje dá continuidade a tudo o que
herdou que se reflecte em si.


O NU

Sinto o cansaço que se apodera de mim deixando-me
pensativo para comigo numa conversa interna de
interrogações exaustivas que me fazem mergulhar na
dor inexistente da minha carne, dor essa que se
expande à minha inconsciência de me permitir sentir
a dor que não existe.
Doravante fecho os olhos como um pronuncio
de rendição prematuro libertando-me da minha
consciência e incutindo a sonolência para o
descanso que o cansaço perturba.
Após o adormecimento de mim e o meu acordar,
recordo o amolecimento dorido de quem não relaxou
e sentiu; percorro a distância que me separa de mim
para mim submergindo-me a um passado esquecido
do qual não tenho qualquer referência senão a
sensação de estar vivo em algures de mim. Desprovido
de qualquer semelhança entre o que fui e o que sou
traço uma linha horizontal na continuidade da separação
entre o que realmente sou e desconheço e aquilo que foi
construído á margem do que por ventura se diz ser
correcto. Num paralelismo supostamente diferente às
duas faces, em que a singularidade de uma é violentada
numa constante destruição; à da construção da outra
não obstante esta também imperfeita na sua verdadeira
amplitude. Carregado de cicatrizes face ao esquecimento
da persona non grata, posteriormente o seu pseudónimo
oculto do qual não existe qualquer registo mas que
permanece revelador de um certo encanto mesmo que
ainda persista na minha obscuridade e que traduza
em sentimentos as palavras que não revelo.
Prescindindo de um certo carisma do qual eu até me
Identifico, percorro das velhas lembranças do passado
e de alguma forma restos coincidentes com a excentricidade
e a sua evolução enquanto não eu, (não perdendo a esperança,
já que esta é a última a morrer, manifestam-se os hipócritas).

MARCOS SANTOS

A MURALHA

A MURALHA


PRENOMEAÇÃO

Quito aviso do inconsciente na sensação
de um olhar obscuro por detrás das paredes
baças que encobrem o corpo ainda não
divulgado; na incerteza do inesperado.
Corrente de um ar expectante na
intranquilidade fantasmagórica do ser,
inquieto pela instabilidade criada por ele
numa sucessão de comportamentos
internos volúveis e massacradores da relação
pessoal que mantém consigo periodicamente
de uma expulsão de uma parte de si, que de
uma forma latente permanece em si que
psicologicamente parece ter criado um certo
eufemismo de forma protectora de si, para
que não reavive os impulsos por vezes de
alguma forma “incontrolados” pela natureza
da sua constituição enquanto ser.
Contudo, o receio vive de alguma forma dentro
de si, como que desacreditado da sua pessoa;
embora por outro lado tenha um amor próprio
elevado o que cria um repulso e uma antecipação
de todos os sinais de incoerência para consigo,
numa resposta premeditada aos seus sucessivos
rompimentos de sossego.
Num contra censo que mede forças com a razão,
revela-se quando tudo está na inesperada
presença da sensação do desligamento de todo
o sentido nevrótico e na oportuna hora que
coincide com este; facto não premeditado.
Apresenta-se então de tal forma que domina
por completo toda a consciência do estar sóbrio,
é como se o drogasse e criasse o rebentamento de
tudo o que é proibido exprimir.


O SEM TITULO

Entraves de pensamentos de uma constante
mudança interrogativa posteriormente
esclarecida pela lógica das coisas que não tem
qualquer lógica. Alterações sem pré concepções
de coisa nenhuma, aleatórios sem concessão alguma;
indisponíveis à reflexão dentro de uma cegueira
caminham sem qualquer certeza de onde pararam;
num caminhar quase como robótica na busca de
sabe-se lá o quê, qualquer coisa seja lá ela o que
for pior não pode ser de que a incerteza de não saber
o que é. Múltiplos pensamentos fundidos na
paralisação da vida que corroa as mentes e as tornam
doentes. Pobres são aqueles que adoecem por si,
aqueles cuja face não tem reflexo no espelho, aqueles
que nem a si próprios dão por si; num caminhar com
a face voltada para o chão como se o chão fosse o
espelho de si próprios, percorrem longas distâncias
como se as distâncias fossem remédios para si,
encontraram eles as respostas para as suas doenças
no asfalto? Doentes! Jamais pararam de caminhar numa
busca sem resultados; encontraram o desassossego
que os tornaram mais doentes que a própria doença
que lhes invade o cérebro e lhes destrói tudo o que
ainda lhes resta; se lhes ainda resta alguma coisa.

MARCOS SANTOS

DARWINIANO

DARWINIANO


A ORIGEM

Olho para tudo isto com a ignorância que adquiri.
contudo, não creio ser preciso tanto para chegar
a tão pouco, no entanto compreendo.
Pressupondo do princípio de que para isto que
tudo vejo é real, não creio ser falado numa
óptica profundamente pessoal, julgando as
palavras na sua exteriorização e analisando-se a si
próprio, pré concebido no mundo exterior á sua
pessoa como não fazendo parte de ninguém.
(O rio desce a montanha como a montanha sobe o rio),
á parte isto toda a gente está de acordo, não há uma
voz que se levante e desdiga o contrário disto,
ai de quem ouse dizer! Toda a gente diz coisas
diferentes iguais a esta, ninguém a desdiz, senão a própria
natureza.
A origem de tudo isto passa pelos entraves de tudo,
coisas que não se vêem, coisas que… não é preciso falar
delas, só sabem delas quem realmente as vê. Não preciso
de preciso conceituar nada, basta-me estar vivo e olhar.
Não olhar com os olhos como quem olha para uma coisa
qualquer, mas olhar com os olhos de dentro que ninguém
mais os tem, se os tivessem não era preciso eu falar deles.
O prazer de isto tudo, é saber que ninguém nos vê a ver o
que os outros não vêem, não que eu tenha prazer em
que os outros não vejam. Não. É que eu vejo.
Mas o que é que eu vejo? A pergunta interrogatória desapropriada;
o ponto; o silencio, o costume. Tantas perguntas no meio de tão
grandes respostas, todas as perguntas são inúteis quando
temos a resposta á frente dos nossos olhos, ou estarão elas
dentro de nós? Todas as perguntas surgiram sempre que olharmos
para fora de nós.
Não! Não creio em mim! Todas as palavras foram em vão,
todos os silêncios inúteis, todos os gestos desapropriados
para a ocasião. Não! Olharei sempre para fora da janela,
avistarei sempre o inalcançável, conseguirei atingir tudo o que
os outros não conseguem, subirei os Alpes até ao cume e avistarei
a Terra de cima. Não! Não serei o tal! O do número 102. Serei sim,
aquele que avistou a terra de dentro, o profano.
Transporto comigo as velharias do costume coisas que á partida
não tem valor algum, mas eu transporto-as comigo, pequenos
tesouros que eu guardo como recordação. Sento-me sozinho na
esplanada que dá de frente com o abanar das árvores e as sombras
que as cobrem, não é que eu não goste de estar com as pessoas,
mas gosto de estar sozinho. Avisto a velhota que a bengala
passeia entre as árvores e entre o vento que despe as árvores
naquela manhã de Primavera Outonal, um vento assobiador da
caminhada presente que atravessa o jardim num rasgo cortante
do frio que se apresenta. No cume dos Alpes apresenta-se a
maravilhosa paisagem da Terra por debaixo dos meus pés,
numa latitude presente do abraço singular de mim para o mundo
onde concentro toda a magnitude universal.


A ESSÊNCIA

Jamais conceberei em mim o homem que sou; numa procura
constante do meu eu encontro sempre a loucura de um vazio
que me constitui uma incógnita, começo a perceber que fui
apagado após a minha nascença como uma borracha que
apaga as palavras que não são minhas; não creio em ninguém
senão no meu eu; o qual persigo com toda a força que ainda
me resta e arrasta para uma complexidade que criei no
silêncio perturbador da minha consciência numa conversa
para comigo cheia de exaltações e que não convergem entre si.
Contudo; continuo a correr atrás da minha genuinidade que
desvaneceu ainda inocente acreditando que iria permanecer
inalterável. Após, a minha mentalização de que afinal nem
tudo é como parece ser vejo-me envolvido num paradoxo
do qual prevejo a frustração de não conseguir alcançar a
realidade do meu eu; não adjudico no entanto culpas a ninguém
senão à fragilidade e à ingenuidade de que tudo permaneceria
intacto enquanto eu.
Porém, não me desculpo de me terem enganado com o propósito
de que nada seria como eu havia pensado; recuso-me aceitar a
mudança circunstancial de não poder ter evitado o esquecimento
de mim.
Dia após dia na procura do impossível; revejo-me numa situação
onde não existe resolução senão a de ceder à verdade; inaceitável.
Todavia, não posso continuar a indagação da qual nem sei se por
ventura estou certo daquilo que penso por mais que não aceite a
realidade. Teimosamente, construo dentro de mim uma dor de
cabeça embora não era não fosse a melhor opção, continuo na
minha procura sem saber se irá ter o final que espero


MARCOS SANTOS